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sexta-feira, 9 de março de 2012

Desculpem amigos leitores

Mas é que as vezes a vida é uma fuga de tudo que faz bem.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

D-E-C-E-P-Ç-Ã-O

Porra de Yin-Yang. Porra de equilíbrio.
Tem dias que você está uma maravilha. A melhor pessoa da face da Terra. A mais educada, a mais gentil, a mais alegre, a mais orgulhosa de todas.

Mas tem outros dias em que você é a merda mais fedida de todo o esgoto. A doença mais irremediável da medicina. Tem dias que você não vale nada, nem troco de esmola.

O mais impressionante é que ficamos assim por culpa nossa, de nossos atos que, imperceptíveis, magoam as pessoas que justo não queremos jamais ver magoadas ou tristes.
A vontade que dá é de matar esse diabinho dentro da gente e tentar nascer de novo. De morrer. Literalmente morrer pra nascer de novo, se possível fosse. Tentar tudo de novo. Mas a gente tem juízo o suficiente pra não fazer nenhuma besteira, né? Pelo menos, não mais uma!

Por mais que a gente se odeie, por mais decepcionado consigo mesmo que estejamos, tem sempre alguém que gosta da nossa decepção, sempre alguém que gastou dinheiro com nossa ineficiência de ser. Sempre alguém decepcionado que pode ficar mais decepcionado ainda! E isso, graças a gente!

Deixa eu respirar um pouco... As palavras estão saindo rápido demais e não tá dando tempo de respirar entre uma e outra frase.

No final das contas, até falar se torna uma decepção para qualquer um que tenha ouvidos para ouvir.

Agora, bola pra frente. Vamos tentar tirar a água com uma cuia furada do barco que tá afundando de tão inundado. Se, no final, não der certo, vai ser só mais uma decepção pra ter que lidar. E o que é um peido pra quem já tá todo cagado?

- No final das contas, o peido ajuda a espalhar a merda. Reflitam!

domingo, 27 de março de 2011

Wrong!

Você quase fez a coisa errada. Quase. Chegou quase lá mas voltou atrás.

Ficou se sentindo muito bem por ter conseguido. Se sentindo um vitorioso por ter certeza do que queria. Você ficou se sentindo a pessoa mais certa do mundo por QUASE ter feito a coisa errada, por ter evitado.

Mas aí você descobre que não é bom o bastante. Que não é o suficiente.

Sinceramente... Você sempre soube que não seria o suficiente, que não bastava ter ido QUASE lá, que não poderia nem ter ido. Você SABE que só achava ter feito a coisa certa para não se sentir errado, mas você está errado.

Você não é bom o suficiente e agora se odeia por não ser bom o suficiente.

Sugestões de soluções, favor preencher o formulário e colocar na nossa caixinha.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Vermelho-dor, Branco-sem-vida

Tem uma imensidão negra abaixo de mim.
Um grande, profundo, obscuro, frio, úmido, fedido e assustador buraco negro que só faz me olhar, como se quisesse mee engolir por inteiro.
Sinto-me inclinado a dar fechar os olhos e mergulhar nesse feio anti-mundo de... de... de não sei mais o que estou falando, me sinto afogar.

Já me sinto com as pontas dos pés deformadas pelo gelo em que se transformou a água dos meus músculos com a baforada gelada que vem lá de baixo.

Já sinto os pêlos da minha perna encolhidos pela chama quente de dor que emana do mais profundo sofrimento.

Curiosa, essa tristeza, não? Fria e gelada. Quente e aquecida. Com o pior de cada estação do ano - a alergia a flores, a seca escaldante, o frio crucificante e a morbidez das árvores. Como a pior lembraça de cada etapa da vida - a infância sofrida e reprimida, a adolescência sofrida e reprimida, a idade adulta sofrida e reprimida, a velhice sofrida e reprimida. É o melhor que cada criatura maléfica pode dar de si.

É vermelho-dor, é azul-fome, é roxo-asfixia, é negro-escuridão, é verde-vômito, é amarelo-hepatite, é branco-sem-vida.

Esse buraco que aos poucos me suga é um pouco disso tudo, um tudo disso pouco, um fracasso atrás do outro, um outro atrás de cada um dos meus fracassos. Jogando na cara, cuspindo no prato que comi por mim.

Cada humilhação. Cada tristeza.

Lá vem a imensidão negra de novo.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Quero beber da tua língua.



Só o que eu queria era deitar no teu peito o resto da noite... Queria sentir o calor do corpo suado, após uma hora inteira de intenso movimento corporal. Queria ficar abraçado contigo, sentir teu cheiro e nada mais. Ficar abraçado a noite inteira.

Queria beber da tua lingua. Queria beber tua língua inteira na minha boca, através dos teus doces lábios. Quero beber tua língua como uma foto de beijo clichê.

Teu corpo languido escorre entre meus braços.

Durmo.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Não vou parar.

Eu não vou parar de dizer "Eu te amo". Por mais que isso te deixe confuso, não vou parar de dizer.
Vou dizer por que isso te fortifica. Te fortalece. Te torna mais forte. Te dá algo pra tocar.
Vou dizer por que isso te dar certeza que o caminho pelo lado daqui, é feito de chão firme, sem deslizes ou tropeços, e leva à felicidade.
Vou dizer "Eu te amo", por que é o que eu sinto e por que eu quero te dar a certeza disso. Quero garantir que tu entendas, que tu não sinta medo. Assim tu não precisa arriscar.

O caminho não é incerto. Eu te amo.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Não se preocupe... Eu não vou me matar.

Já chorei tanto, tanto que nem sei...
Já chorei tanto que só sinto meu corpo ressecado e meu rosto molhado.
Já chorei toda a energia pra fora.
Já disfarcei todas as lágrimas que eu consegui, agora eu choro e assumo a tristeza.

Eu só choro... Não há nada que se possa fazer. Eu choro.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Não me deixe só...



Me ensinaram outro dia que as pessoas são como areia fina na palma da mão: se folgamos muito elas escorrem entre os dedos; se apertamos muito elas fogem pelo lado.

O que eu mais queria hoje era não perder as pessoas que eu gosto. O que eu mais queria era mais um pouco perto de vocês, meus amigos. Minha mãe se queixa tanto que eu não dou valor pra ela, mas ela sempre esteve ali e ainda vai estar por muito mais tempo. É uma areia mais grossa, uma terra preta onde brotei, nasci e cresci. Meus amigos, não. Eles são areia fina, eles somem da minha vida com muito mais facilidade. E me fazem tanto bem que minha maior vontade era tê-los para sempre. Mas isso é quase sempre impossível.

Dois ou três vão embora agora, mais tarde mais um. E esses são só o que eu tenho certeza, ainda nem conto os que eu ainda não sei que vão embora. Tem aqueles que prometem ir, tem aquela que já foi, tem aqueles que realmente vão.

É. Tô sofrendo. Admito.


"Me despeço dessa história e concluo a gente segue a direção que o nosso próprio coração mandar... E foi pra lá, e foi pra lá..."

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Ética



Por que a ética quer tanto igualar nossos comportamentos? O prazeroso é não cumpri-la, é diferenciar-se. O bom da vida é não ser igual, é ter opções. Essa ética maléfica que tenta nos transformar em robôs, ela não sabe nada sobre o que é ser feliz. Ela nunca amou, ela nunca deu um gozo bem dado num banheiro, numa rapidinha, ela nunca sentiu o prazer de olhar nos olhos e entender que pensamentos sujos fazem parte da mente dos dois, nunca entendeu que eles DEVEM fazer parte da mente dos dois, que isso é fundamental para a interação, para a complementaridade das idéias. Essa ética boba não tem pensamentos sujos sozinha, quem dirá acompanhada. Coitada, jamais vai ter alguém.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

"A luta pela verdade deve ter precedência sobre todas as outras."

Já decidi. Não vou mais lutar por ninguém. Simplesmente não vou. Simples assim.
Já lutei muito por muitos amores, agora, lutar por alguém por quem não tenho sequer consideração? Sei que não é por mim, sei que é pra fazer alguém que amo feliz. Mas não vale a pena. Não vale nem a pena explicar. Me cansa. É. Não vou.





(- a frase do título é de autoria de Albert Einstein)

domingo, 14 de junho de 2009

- another heart text's


Meu amor,

Não seja tão bom para mim. Não seja. Você não me quer, isso é um fato já esclarescido em conversas de outrora. Tenho lutado arduamente para te esquecer, isso é algo que te juro veracidade, tenho procurado outras pessoas com quem conversar, tenho evitado falar contigo, tenho tentado não pensar em ti a cada segundo. É duro. É muito difícil. Especialmente estando do teu lado o tempo todo. Mas é assim que quero, da forma mais difícil, pois uma quantidade mínima que eu me afaste é suficiente para nos afastar pra sempre. ISSO eu não quero. Aceitei te esquecer da forma mais difícil para poder ter tua amizade. Não seja tão bom, não seja tão legal. Se você não me quer, não torne mais difícil ainda a tarefa de fazer meu coração não te querer mais.
Aliás, quão estúpido me sinto falando de coração... "Meu amor"?

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Beating and breathing


Minha maior vontade agora era ficar deitado sobre teu peito mais um pouco, sentindo e ouvindo tua respiração intercalada pelo batimento do teu coração. Ouvir tua voz e sentir meu peito aquecer quando você me olhava assim de lado. Queria ser especial, muito especial.
Queria ouvir mais um pouco de Legião ao teu lado. Queria mais um sinal de trânsito demorado. Ou até mesmo um rápido. Eu queria tua atenção, só ouvir tua voz me perguntando como me sinto. Só um pouco.

Sei que daqui uns dias vou estar me sentindo patético por querer tudo isso agora. Sei que, além de patético, vou deixar de te querer com a mesma facilidade que comecei. Eu nem te conheço. Só conheço a velocidade da tua respiração.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Mudança ou não. (o arquiteto desmorona uma construção)

Estou na seguinte punheta mental:

Nunca mudamos de verdade, nem planejando. A gente pensa que mudou, mas somos sempre os mesmos. Não falo de mudanças a longo prazo, pois elas acontecem por serem evoluções, estágios, processos. Falo de mudança imediatas. E digo que não mudamos, que somos sempre o mesmo por que o que somos em seguida é apenas o que somos agora com mais um minúsculo, inotável e insignificante elemento.
Até mesmo por que a questão não é acreditar. Eu acredito. E desejo! Muito!
Mas ela, a mudança imediata, não existe. São evoluções que acontecem, mais rápidas ou mais devagar, mas são sempre evoluções...


Quando me surpreendo com a seguinte réplica:

"Não senhor... Eu mudei muito. Muito mesmo! Dá sim, coloca na cabeça que dá. Coloque na sua cabeça e faça! Acredite e realize! Você tem muitas afirmações. Você não tem verdade. Ninguém tem verdade, então seja flexivel: veja o que é melhor e faça. Só que não adianta esperar pelos outros ou esperar cair do céu."

É... Não adianta esperar que a mudança aconteça. Ela existe, cabe a nós correr atrás.

Masquerade!



Não existem rostos, apenas máscaras e mais máscaras. Algumas mais perfeitas, outras imperfeitas e outras escolhemos de acordo com a conveniência.
É o que diz Masquearade, de The Phantom of the Opera(a música mais realista, por sinal): "esconda seu rosto, então o mundo nunca o encontrará".

"Nunca o encontrará". Eis a meta. Máscaras são feitas para esconder um verdadeiro eu que - com sinceridade? - não me é crível.

Não é mentira: Rostos não existem. Máscaras escondem qualquer coisa menos rostos, acho até que o oposto deles, não-faces abstratas ou anti-rostos. Nada realmente concreto, palpável, existente. Máscaras são para esconder vazios - existenciais, presenciais, da personalidade. Aliás, que personalidade? Se o mundo não passa de atitudes pouco-criativas, nunca inéditas, jamais originais, copiadas sim, repetidas sim, fruto de um aprendizado. A-PREN-DI-ZA-DO. Ou seja, alguém te ensinou a fazer o que você faz justo agora, comer, andar, escrever, pensar, amar, odiar, ignorar, foi o mundo que te ensinou. Alguém de ensinou a sentir e a repetir e encenar as sensações, como máquinas, e as demonstrações de sentimento, como máscaras!

"Masquerade!
Every face a different shade ..
Masquerade!
Look around -
There's another mask behind you!"

sábado, 25 de outubro de 2008

Vá tomar um Nescau.

Eu estava na aula de Filosofia, numa terça-feira, dia 19 de Agosto. Recebi uma ligação da minha mãe e até fiquei envergonhado pois meu celular começou à tocar alto no meio da sala. Saí da sala e fui atender, ela perguntou se eu poderia ir lá em baixo falar com ela, eu pedi para esperar o intervalo e ela me falou que não poderia. Nem me toquei que era sobre minha avó, até q a voz da minha mãe vacilou um pouco, como se chorasse. Fiquei apenas receoso e desci correndo.
No meio do caminho o meu celular tocou de novo, atendi pensando que era minha mãe. Não era. Minha madrasta estava me ligando pra perguntar justamente da minha mãe, foi aí que a ficha caiu. Minha madrasta odeia minha mãe e jamais iria querer falar com ela.
Quando cheguei na recepção, que vi os olhos da minha mãe cheios de lágrima, não tive outra reação. Desabei chorando. Lembro de tudo como se fosse um filme, tudo se repetindo, como se eu estivesse fora do meu corpo na hora.
Me encostei em uma parede e passei o celular pra minha mãe. Só naquela hora que ela estava sabendo que minha avó havia falecido.
Já não adiantava, eu tava jogado no chão, chorando, me desgüelando. Sem acreditar. pedindo pra me falarem que era mentira. "É mentira, me diz que não é verdade, por favor, me diz que foi só um engano", eu falava.
Não sei o que me levou à isso, mas comecei à arrancar meu cabelo com as mãos. Eu arrancava chumaços e mais chumaços, não conseguia sentir dor nenhuma e continuava à arrancar.
Peguei minhas coisas ainda sem acreditar que era verdade e fui para o carro, me levaram para o hospital, onde eu a vi, deitada sobre uma maca, enrolada em um saco, desses de defunto mesmo, cinza, sem vida. Minha avó tava completamente nua, com as mãos amarradas de qualquer jeito e os pés idem. Nem parecia que ela estava num hospital onde passou toda sua vida em trabalho voluntário, onde todos a conheciam.

Não aguentei. Caí no chão, de joelhos, ainda arrancado cabelo, não sentia minha cabeça, não sentia nenhuma parte do meu corpo. Só o que quis fazer foi dar um grito. Só um grito. Queria acordar a cidade toda pois a mulher que mais amei na vida, se duvidar até mais que minha própria mãe, havia partido e me deixado aqui, sozinho.

E gritei...
"AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH"
Gritei e sinto minha garganta tremendo desse grito até agora.
Acho que queimei todos os hormônios que existiam no meu corpo por uma semana inteira. Passei uma semana sem chorar, nem no enterro chorei, pelo contrário, sorri. Me martirizei sorrindo, tentando embutir um pensamento de que ela não iria querer me ver chorando. Passei uma semana com os lábios grampeados num sorriso mais amarelo que um girassol.
Na missa de sétimo dia dela, desabei, não aguentei ao ler um trecho qualquer lá, que nem lembro qual é, chorei. Chorei muito, na frente da igreja inteira, lotada.
De lá pra cá, choro por qualquer motivo. Uma faca caiu no chão e eu lembrei dela? Lágrimas. Passei por debaixo de uma árvore e lembrei dela? Choro. Ouvi uma piada que iria querer contar pra ela? Desabo.


Sinto mais falta dos momentos que eu passava do lado dela que de fato dela. Sinto falta da possibilidade de contar algo legal pra ela. Algo que eu ouvi na faculdade, algo que li na internet. Algum vídeo engraçado que vi. Eu adorava mostrar isso tudo pra ela. Adorava ler textos do meu blog. Lembro dela arregalando os olhos de felicidade de saber q eu tava escrevendo tão bem. Lembro dela chateada por que eu havia escrito um texto triste. Ela sempre me quis feliz.

Dói.
Dói no coração.
Dói muito.
Dá vontade de morrer.
Dói tanto que chego à sentir a dor fisicamente. Dói tanto que não consigo sentir mais nada, nem dor de cabeça, nem fome, nem dor nos olhos, nem nada.
Eu só queria ela de volta. Mais um minuto, mais um segundo sequer. Só mais um milésimo de segundo.

Nunca sonhei tanto quanto de março pra cá. Desde que meu avô morreu, já sonhei com ele mais de 20 vezes, com minha avó sonhei algumas, e com os dois juntos, outras várias.
Sempre acordo com aquela mesma sensação que tenho quando sonho que tenho dinheiro, aquela vontade de não ser só sonho.
Na verdade, a vontade é que isso que se passa agora seja só um pesado, do qual vou acordar à qualquer instante com minha avó brigando por meu quarto estar bagunçado, por eu ter deixado toda a minha roupa jogada no chão e me mandando ir tomar um nescau.

Desculpem por tantas letras. Só queria desabafar.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

A Lost Two


Nada hoje me inspira, nem o balançar da toalha na praia, com o vento forte do mar, nem o vai-e-vem inebriante das ondas
A hora passa e me leva partes mensuráveis que, talvez não façam falta, mas certamente estariam muito melhor em mim. O tempo passa, hora após hora, o tempo corre e me arrasta, cada hora mais longe.
Ora, não sei que hora te verei de novo nem que hora a gramática vai me impedir de falar. Não sei a hora de orar nem a hora de amar. Páro por aqui.

Sempre me perco nas palavras.

sábado, 6 de setembro de 2008

Fumaça


Dou um trago profundo no meu gudang e, enquanto encaro a ponta em brasa do cigarro, penso nos passos que me levaram até ali. Jogo-me para trás sem impulso e sinto o frio do chão de mármore, da escadaria onde estava, tentar contaminar minha roupa e, então, meu corpo. Solto então a fumaça que estava presa nos meus pulmões e que já me sufocavam.
Sento-me. Cuspo. Trago de novo. Uso tantos verbos, como "respirar" ou "bater o coração", enquanto desejo que o único que deveria parar de usar realmente cumpra minha vontade: "pensar".
Deito de novo. Trago de novo. Tento esvaziar minha mente mas descubro que tragar deitado faz com que eu me engasgue.
Tusso me levantando e olho ao redor, a noite fria estava mais noite, mais escura e mais fria ainda.
Não entendo por que estou tonto mas aí me dou conta que fumei dois cigarros seguidos. Realmente, é pesado demais.
Decido ir para casa e vou.

sábado, 30 de agosto de 2008

Rosa Bebê


Sabe o rosa? O rosa-bebê. Aquela corzinha delicada, carinhosa, acarinhante e quase sempre confortável? Pois é... Eu adoro o rosa-bebê. Me trazem tão boas lembranças. Foi regado à rosa-bebê que passei os melhores momentos de que me lembro. O rosa-bebê me pegou no colo quando nasci, o rosa-bebê me transformou num homem adulto, o delicado rosa-bebê que dormia quando eu fazia cafuné nele.
O rosa-bebê que me trazia tanta felicidade hoje completaria 82 anos. Completaria se não tivesse falecido 11 dias atrás, com 81.
Minha avó morreu de osteoporose em alto grau, o que causou uma parada cardíaca. Mas sabe do que? Ela está viva, mais viva que nunca, na minha memória, no meu coração, nos meus sentimentos, em cada letra que escrevo e em cada ato que pratico.
Foi minha avó, quem vi chorar pela primeira vez em março de 2007, quando ela estava pronta para me perdoar de qualquer idiotice que eu tivesse feito, mesma avó que vi se acabar de chorar quando, em 7 de março, meu avô morreu, e mesma avó que vi lutar para ficar viva durante todo esse mês qu passou, e acabou partindo. Essa avó é a mesma do imenso coração, é a mesma do imenso perdão, é a mesma da imensa força, é mesma que dedicou mais da metade da sua vida às outras pessoas, à uma casa de apoio que hoje leva seu nome, "Erosilda Mota", e que cuida de mulheres com câncer. Aliás, minha avó era forte o bastante para aguentar um câncer.
Foram quase 50 anos de voluntariado, quase 60 anos de casamento, quase 82 anos de vida. Tanto quase, mas que valem muito mais que 50, 60 e 82 anos completos.
Vó, te amo para sempre, herdo de ti todos os sentimentos bons que possuo. Feliz aniversário.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A Lost One


E o desespero de onde vem? Da fala doce de moças bem vestidas em saias de aeromoças ou do molejo e do gingado de jogadores de capoeira?
Que dia é esse que me faz pensar nos outros dias? Que hora é essa que me faz esquecer das outras horas? O relógio não corre ao meu favor nem contra minha vontade. Desespero-me, pois sim, quando vejo que os olhos da besta fera que encaro são meus próprios olhos no espelho. Sinto-me nessas horas na incubência de te fazer mais um pouco além do que já fiz. Sinto-me encarregado de te carregar através de um lago espelhado com palavras à deriva, espalhadas e sem sentido. Páro por aqui.

Sempre me perco nas palavras.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O Dia Dela



A gente nunca sabe mesmo o que vamos dizer quando a hora chega. O desconhecido que encaramos, e que muita vezes perdemos de vista ao vislumbrar o mar, nos trás a calma que nem percebemos. Confundimos com as múltiplas facetas da vida, as múltiplas vistas que temos de tudo, do mundo. Falamos sem parar e só o que queremos é ser ouvidos. Um remédio nos faz esquecer mas também nos faz lembrar. Se perder é tão normal quanto errar a colocação do pronome que tanto tenho insistido em demonstrar no que digo.

"A gente se perde, a gente se acha
De um jeito ou de outro tudo passa.
E com cloridrato de sertralina e um pouco de mar
a gente começa a aprender
Que todo mal um dia tem fim.
"

inspiração.





Eu falei que sabias,
- tu não quis acreditar -
fazer poesias
é mais fácil que rimar.

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