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terça-feira, 11 de agosto de 2020

Vontade

 Tem dias que a vontade que dá não é expressada em cores, sons, aromas ou imagens.

Tem dias que a vontade que vem - a gente faz ela voltar.

Tem vontades que dá que a gente cala.

[insira aqui 10 minutos de silêncio].

Dá vontades na gente que a gente fala.

[insira aqui 10 minutos de barulho]

Dá vontade do arrepio frio que dá na espinha quando eu sinto o pelinho da tua perna encostar na minha.

Mas pra essa vontade eu calo, pois passarinho que se aperta, foge rápido ou se esmaga.

Voltei

 Nunca pensei voltar.

O caminho que tracei não foi em linha reta. Desejei que fosse quiçá plano, mas a vida não dá mole.

Nunca pensei que estar volta aqui soasse feito uma nota certa de uma música longa, no tocafitas errado, engatado. Chiando.

Mas voltei. Não para ficar. Não voltei porque aqui é (ou não) o meu lugar. Eu voltei, voltei por que eu quis. Pra escrever, destrinchar, dichavar e arquitetar.

Voltei.

domingo, 23 de março de 2014

E se...?

E se eu fizesse uma carta de amor?
Como seria te falar tudo que eu sinto em palavras
murchas, cruas e sem sentido lógico?
Se eu rimasse amor com dor e teu nome com maçã?

Se eu te dissesse tudo que eu sinto?
Tu iria se jogar nos meus braços e me amar
ou iria compreender e seguir em frente?

Se eu fizesse um poema sem rimas e falasse
que o amor é assim, confuso, sem rimas ou estrofes arrumadas?
Se eu rimasse "tu e eu" com "nós dois"?
Tu iria me dizer as três palavrinhas que "eu [te] amo"?

Como que faz pra tirar você da minha cabeça?
E se eu não quiser tirar?

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Carta de Amor

E se eu fizesse uma carta de amor?
Como seria te falar tudo que eu sinto em palavras
murchas, cruas e sem sentido lógico?

Se eu rimasse amor com dor e teu nome com maçã?
Se eu te dissesse tudo que eu sinto?
Tu iria se jogar nos meus braços e me amar
ou iria compreender e seguir em frente?

Se eu fizesse um poema sem rimas e falasse que o amor é assim,
confuso, sem rimas ou estrofes arrumadas?
Se eu rimasse “tu e eu” com “nós dois”?
Tu iria me dizer as três palavrinhas que “eu [te] amo”?

Como que faz pra tirar você da minha cabeça?
E se eu não quiser tirar?

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Não se preocupe... Eu não vou me matar.

Já chorei tanto, tanto que nem sei...
Já chorei tanto que só sinto meu corpo ressecado e meu rosto molhado.
Já chorei toda a energia pra fora.
Já disfarcei todas as lágrimas que eu consegui, agora eu choro e assumo a tristeza.

Eu só choro... Não há nada que se possa fazer. Eu choro.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Orgia.

Acendo meu cigarro de puta que sou,
um trago e sinto a brasa invadir meu ser
a orgia do fim, enfim, começou.
Vamos delirar, vamos padecer.

Venha a mim tudo que é ruim, tudo que chora
venha a mim pecado, prazer.
Venha mim, a mais ninguém,
orgia em mim, venha fazer.

Nada mais que sentimento.

domingo, 16 de agosto de 2009

"Lê-me"

Me lê? Lê minha mão e o meu corpo,
lê a curva da minha letra,
o desenho do meu rosto.
Lê antes que se torne esquecida
a memória de mim, moço.

Lê essas palavras ditas fáceis,
manchadas de sangue a ponta de uma faca.
transforma em voz o meu murmúrio,
me deixa ouvir a voz querida.
me deixa ver tua trapaça.

Me lê antes de ti.
Ante que a gramática me proiba de errar.
Me lê, cru e sem rir.
Simplesmente, me lê.

domingo, 21 de setembro de 2008

Quem tu pensas que tu és?


Quem tu pensas que tu és?
Quem tu pensas que és
para fazer me apaixonar desse jeito?
Quem tu achas que és na minha vida,
senão minha própria vida inteira?
Tu és a fruta, aquela!
Tu és pequena, é ela!
Tu és gigante dentro de mim
e ocupas apertadamente todo meu corpo mínimo.
Tu és gigante dentro de mim
e ultrapassas minha consciência de tamanho.
Tu és ela, és o elo que une, vergonhosamente,
o passado e o pretérito.
Tu és ela, e não unes nada além
da tua memória, em mim, e meu coração.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

"Viro poça, viro moça"


Quando tu passa,
viro uva passa,
roupa mal passada.
Viro poça, viro moça,
doce ou salgada.
Me transformo naquilo e naquele
que o dia, como um leão,
não deixa passar para outro dia.
Não sei se és futuro,
mas te quero nos meus dias
agora, e daqui para frente - e todos os lados.
Não sei se és presente,
mas respondes chamada todos os dias.
Mas sei que existes e passas por mim
desde o mais remoto passado, ao fim.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O Dia Dela



A gente nunca sabe mesmo o que vamos dizer quando a hora chega. O desconhecido que encaramos, e que muita vezes perdemos de vista ao vislumbrar o mar, nos trás a calma que nem percebemos. Confundimos com as múltiplas facetas da vida, as múltiplas vistas que temos de tudo, do mundo. Falamos sem parar e só o que queremos é ser ouvidos. Um remédio nos faz esquecer mas também nos faz lembrar. Se perder é tão normal quanto errar a colocação do pronome que tanto tenho insistido em demonstrar no que digo.

"A gente se perde, a gente se acha
De um jeito ou de outro tudo passa.
E com cloridrato de sertralina e um pouco de mar
a gente começa a aprender
Que todo mal um dia tem fim.
"

inspiração.





Eu falei que sabias,
- tu não quis acreditar -
fazer poesias
é mais fácil que rimar.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Dia Árido




(...)É a seca,
que deixa a garganta aflita,
que machuca a alma e grita.
É seca a dica.(...)

terça-feira, 29 de julho de 2008

O Mundo (parte II)



Tu és meu mundo inteiro,
mundo todo, inteiro, tudo.
Tu és quem passa e fica,
quem vira a vida;
tu és meu mundo.

Tu és parte de tudo;
nada por nada,
comigo, contudo.

Tu vira, tu vem, tu vai-e-vem,
me joga pra cima e me pinta de rosa,
me faz delirar na nossa dança,
me faz me perder na nossa prosa.

Por ti me perco, por ti eu erro,
por ti esqueço a gramática.
Tu não liga pr'a regras,
só pr'a química prática.

Palavras vindas de ti são poesia.
Não sou um poeta, meu mundo:
sou o mundo de dia.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

margá



(...)Expressa o torpor do teu beijo, margarida,
Deixa-me fugir em teus sabores.
Saberei, para sempre, querida
Em que dia tirarei teus pudores.

Doce e bela, amor para a vida,
Não vês que já cresci?
Espero você, minha margarida.
Para contigo falar: "eu vivi".(...)

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Intenso


Intenso, insano, concenso.
Senti-te forte sobre meu peito.
Meu corpo com aragem de suor,
Teu corpo com Aragem de mim.

Intenso, insosso, imenso,
Veio-me suave e sem jeito.
Tu eras apenas maior,
Eu era somente assim;

Intenso, incluso, incremento.
Vi-me cheio e feito.
Nós eramos dois em um só,
Nós fomos um enfim.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Não exatamente...


Não exatamente a mesma.
Não exatamente amável.
Não exatamente viva.
Não exatamente eterna.
Não exatamente amiga.
Não exatamente verdadeira.
Não exatamente volúvel.
Não exatamente exata.
Não exatamente vo"ç"ê.
Não exatamente ética.






























- Ou seria exatamente tudo isso?

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